Os cogumelos alucinógenos, também conhecidos como cogumelos mágicos ou psicodélicos, têm sido utilizados há séculos pelos seus potentes efeitos psicoativos. Hoje em dia, o seu interesse voltou a crescer, tanto em contextos recreativos como terapêuticos. Neste artigo explicamos tudo o que precisa de saber sobre os cogumelos alucinógenos, a psilocibina e os diferentes tipos de cogumelos psicodélicos que a contêm, os seus efeitos, formas de consumo e potenciais riscos.
O que são os cogumelos alucinógenos?
Os cogumelos alucinógenos com psilocibina, também chamados de cogumelos mágicos, são um grupo de fungos que contêm compostos psicoativos naturais. O principal é a psilocibina, que tem a capacidade de alterar a perceção, o pensamento e o estado emocional de quem os consome, provocando uma viagem psicadélica. Também são conhecidos como cogumelos psicodélicos ou enteogénicos, destacando o seu uso ancestral em contextos espirituais.
Existem mais de 200 espécies que contêm psilocibina, sendo a Psilocybe cubensis a mais popular. Os efeitos da psilocibina vão muito além das alucinações; podem induzir introspeção profunda, euforia e uma sensação de conexão com o ambiente. Ao contrário de fungos como a Amanita muscaria, que têm compostos diferentes, os cogumelos com psilocibina atuam principalmente no sistema serotoninérgico do cérebro. Atualmente, têm despertado grande interesse científico, e estão a ser estudados pelo seu potencial terapêutico no tratamento da depressão e da ansiedade.
A aparência dos cogumelos alucinógenos varia muito de espécie para espécie. No entanto, muitos são pequenos, com chapéus castanhos ou dourados e lâminas escuras que ficam azuladas quando manipuladas. Esta coloração azulada é um sinal típico da presença de psilocibina e psilocina.

Psilocibina: o princípio ativo dos cogumelos mágicos
A psilocibina é o composto psicoativo natural mais importante dos cogumelos mágicos. É a substância responsável pelas mudanças profundas na consciência e tornou-se o foco central da investigação científica moderna. A psilocibina é um alcaloide psicadélico que, ao ser ingerido, é convertido na psilocina, a sua forma ativa. Ambas estão presentes em concentrações variáveis em mais de 200 espécies de fungos, como a famosa Psilocybe cubensis.
O que provoca a psilocibina no organismo?
Os efeitos da psilocibina podem ser divididos em várias categorias, dependendo da dose, do ambiente (“set e setting”) e da predisposição individual.
- Efeitos fisiológicos e sensoriais: Podem ocorrer alucinações visuais e auditivas, alterações da perceção, dilatação das pupilas, aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, náuseas, vómitos ou fraqueza muscular.
- Efeitos emocionais e psicológicos: Pode surgir euforia, uma sensação de bem-estar profundo e maior empatia. Muitos utilizadores relatam introspeção intensa ou um sentimento de união com o universo. Em contexto terapêutico, estes efeitos são usados para tratar depressão e ansiedade.
- Efeitos cognitivos: A psilocibina altera a perceção do tempo e do espaço. O “ego” pode dissolver-se temporariamente, algo que pode ser libertador para alguns e desconfortável para outros.
Apesar de a psilocibina ter baixa toxicidade, o seu consumo não está isento de riscos, sobretudo em doses elevadas ou ambientes inseguros. Um “mau trip” pode provocar ansiedade, pânico ou paranoia.
A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA) concedeu à psilocibina o estatuto de “Terapia Inovadora”, reconhecendo o seu potencial no tratamento da depressão. Esta decisão impulsionou investigações em instituições de renome como a Universidade Johns Hopkins e organizações como a MAPS.
A psilocibina é viciante? Pode causar abstinência?
A psilocibina distingue-se de outras drogas de abuso pelo seu baixo potencial de dependência. Vários estudos, incluindo os da Universidade de Saragoça, mostram que não provoca dependência física nem sintomas de abstinência, ao contrário dos opiáceos ou do álcool. Os cogumelos mágicos não ativam os circuitos de recompensa cerebral como outras substâncias aditivas.
No entanto, pode desenvolver-se tolerância temporária. Se alguém consumir psilocibina com frequência, os efeitos de uma mesma dose reduzem-se significativamente, levando a uma pausa natural no consumo. Isto, aliado à natureza introspectiva da experiência, faz com que o consumo compulsivo seja raro.
Para que servem os cogumelos mágicos?
Os cogumelos psicadélicos são usados por vários motivos, geralmente divididos em três categorias principais:
- Motivos terapêuticos e de desenvolvimento pessoal: Muitas pessoas usam para melhorar a saúde mental e explorar a introspeção. Pesquisas recentes mostram que a psilocibina pode ajudar no tratamento da depressão, ansiedade e PTSD, oferecendo novas perspetivas emocionais.
- Motivos espirituais e enteogénicos: Povos indígenas utilizavam cogumelos mágicos em rituais para se conectar ao sagrado. Hoje, muitas pessoas continuam esta prática para fortalecer a ligação com a natureza e o universo.
- Motivos recreativos: O uso recreativo é popular para experienciar euforia e efeitos visuais, intensificando a perceção da música e da arte.
Para quem vai experimentar cogumelos alucinógenos pela primeira vez, é essencial fazê-lo num ambiente seguro, com uma atitude positiva e na companhia de alguém de confiança.
[ppgbo products=”2680,2676,7871″ language=”pt”]Efeitos dos cogumelos alucinógenos
Os efeitos dos cogumelos alucinógenos variam bastante consoante a dose, o tipo de cogumelo e a fisiologia de cada pessoa. A psilocibina, o seu principal composto ativo, é convertida em psilocina no organismo e atua sobre os recetores de serotonina no cérebro, especialmente os 5-HT2A. Esta interação altera a perceção da realidade, provocando mudanças sensoriais, emocionais e físicas.
Alucinações e alterações sensoriais
Um dos efeitos mais conhecidos é o aparecimento de distorções visuais. As cores parecem mais intensas, os objetos podem parecer mover-se ou “respirar”, e é comum ver padrões geométricos. Também pode ocorrer sinestesia, um fenómeno em que os sentidos se misturam, como “ver” sons ou “ouvir” cores.
Sensação de bem-estar
Muitas pessoas relatam uma sensação profunda de euforia, bem-estar e conexão emocional. Isto pode levar a uma introspeção intensa ou a um sentimento de unidade com a natureza e o universo. Em contexto controlado, estes efeitos podem ter valor terapêutico e ajudar a repensar problemas a partir de novas perspetivas.
Relaxamento ou ansiedade
Embora a experiência possa ser muito positiva, também pode gerar desafios. Dependendo do ambiente e do estado emocional, a viagem psicadélica pode ser tranquila e agradável ou, pelo contrário, causar ansiedade, paranoia, medo intenso ou confusão. Estes episódios são conhecidos como “bad trip”.
Alterações fisiológicas
Os cogumelos alucinógenos também provocam mudanças físicas no corpo. Os efeitos mais comuns incluem dilatação das pupilas, aumento temporário da pressão arterial e da frequência cardíaca, náuseas, tremores e alterações da temperatura corporal.
O início dos efeitos ocorre entre 20 e 60 minutos após a ingestão. A viagem pode durar entre 4 e 6 horas, podendo persistir efeitos residuais suaves até 24 horas. Os metabolitos da psilocibina podem ser detetados no organismo durante cerca de um dia, mas normalmente não são procurados em testes de drogas padrão.

Tipos de cogumelos mágicos ou alucinógenos
Existem diferentes tipos de cogumelos alucinógenos classificados pelos seus compostos ativos. A maioria contém psilocibina, responsável pela viagem psicadélica, mas outros como a Amanita muscaria contêm muscimol, que causa efeitos dissociativos. É fundamental distingui-los para compreender bem os seus riscos e efeitos.
Cogumelos com psilocibina e psilocina
Esta é a categoria mais conhecida e estudada dos cogumelos mágicos. Contêm os alcaloides psilocibina e psilocina, responsáveis pelo típico efeito psicadélico.
Entre os cogumelos com psilocibina, destacam-se várias espécies. A Psilocybe cubensis é a mais popular e cultivada, com chapéus castanhos ou dourados. A Psilocybe semilanceata, conhecida como “Liberty Cap”, é comum em climas temperados e, apesar do seu pequeno tamanho, é uma das mais potentes. Por último, a Psilocybe azurescens, nativa da costa do Pacífico dos EUA, é considerada uma das mais potentes do mundo devido ao seu elevado teor de psilocibina, proporcionando experiências extremamente intensas.
Cogumelos com ácido iboténico e muscimol
Esta categoria inclui cogumelos como a Amanita muscaria, famosa pelo seu chapéu vermelho com pintas brancas. Os compostos ativos não são psilocibina, mas sim ácido iboténico e muscimol. Estes atuam sobre o sistema GABA do cérebro e produzem efeitos completamente diferentes. Em vez de uma viagem psicadélica clássica, a experiência tende a ser mais dissociativa e sedativa, podendo causar sonolência, euforia e, em doses altas, delírio. O seu consumo requer extrema precaução devido à toxicidade e risco de efeitos adversos.
Cogumelos parasitas
Esta não é uma classificação química, mas sim ecológica. Algumas espécies, como o corno-de-centeio (Claviceps purpurea), crescem como parasitas em cereais e ervas. Embora contenham alcaloides com efeitos semelhantes aos psicadélicos, são extremamente tóxicos e o seu consumo pode ser fatal. Historicamente, surtos de ergotismo causaram alucinações e doenças em populações inteiras.

Quais são os cogumelos alucinógenos mais potentes?
A potência dos cogumelos com psilocibina varia muito entre espécies e depende também das condições de cultivo. Aqui apresentamos algumas das variedades mais populares disponíveis nos nossos kits de cultivo, desde as mais suaves até às mais intensas.
Cogumelos Mexicanos
Os cogumelos Mexicanos do nosso catálogo, conhecidos como Psilocybe Mexican, são uma variedade clássica muito apreciada pela elevada produção e resistência, sendo ideais para iniciantes no cultivo. Historicamente, foram usados em rituais sagrados na Mesoamérica, conhecidos como “carne dos deuses”. Produzem cogumelos de pé longo e fino, com chapéus grandes que variam do amarelo ao laranja-avermelhado. Os efeitos são potentes, mas equilibrados, oferecendo uma experiência suave e introspectiva, perfeita para quem quer explorar os efeitos psicadélicos de forma consciente.
Cogumelos McKenaii
Os cogumelos McKenaii da GB The Green Brand são um híbrido desenvolvido em homenagem ao psiconauta Terence McKenna. Esta variedade de Psilocybe cubensis é reconhecida pela alta potência e efeitos intensos, combinando fortes visões com introspeção profunda e caráter filosófico. Apresentam pés grossos e vigorosos de cor branca e chapéus arredondados castanho-alaranjados. São recomendados para utilizadores experientes que procuram uma exploração interior profunda.
Cogumelos Copelandia Hawaiian
Os cogumelos Copelandia Hawaiian, também conhecidos como Panaeolus cyanescens, representam um nível superior de potência. Originários da Ásia, popularizaram-se no Havai. Estes cogumelos têm pés longos e finos e contêm níveis extremamente elevados de psilocibina, até cinco vezes mais que outras variedades de Psilocybe. Apesar de produzirem menos por colheita, a sua potência significa que doses muito pequenas já provocam efeitos visuais e introspectivos duradouros (5 a 7 horas). São ideais para micologistas e exploradores experientes que procuram uma experiência intensa.