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Microdosagem no trabalho: aumenta a produtividade ou é um risco ocupacional?

A ideia de tomar microdosagem no trabalho soa, para alguns, como um atalho moderno para alcançar uma concentração total. Para outros, levanta sérias questões éticas e de segurança. A verdade é que cada vez mais pessoas — desde designers a programadores e até empreendedores — estão a explorar o uso de pequenas doses subperceptíveis de substâncias como a psilocibina ou o LSD, na esperança de se sentirem mais criativas, menos stressadas e mais focadas durante a jornada laboral.

E embora os testemunhos que circulam nas redes sociais ou fóruns especializados pareçam prometer uma revolução silenciosa na produtividade, a pergunta mantém-se: estamos a falar de uma ferramenta inovadora ou de um risco desnecessário? Neste artigo, abordamos o que diz a ciência, como afeta (ou não) o desempenho, o que dizem os profissionais de saúde e quais são as reais implicações desta prática no contexto laboral.

O que é a microdosagem?

Quando falamos de microdosagem, referimo-nos à prática de consumir quantidades ínfimas de substâncias psicadélicas, como a psilocibina ou o LSD. Ao contrário das doses recreativas, estas quantidades são tão pequenas que não provocam alucinações nem alterações perceptivas evidentes, permitindo à pessoa continuar com as suas atividades diárias sem interrupções.

O principal objetivo desta prática é influenciar de forma subtil mas significativa vários aspetos do bem-estar cognitivo e emocional. Em teoria, as microdoses podem melhorar o humor, aumentar a motivação, potenciar a criatividade e a clareza mental, e até promover uma maior introspeção e bem-estar geral, sem chegar aos efeitos psicotrópicos completos dessas substâncias.

o que é a microdosagem no trabalho

Como chegou a microdosagem de psilocibina ao mundo do trabalho?

No mundo laboral, especialmente em setores altamente competitivos ou criativos, este fenómeno tem vindo a ganhar destaque. A procura por novas formas de manter a concentração, estimular a criatividade ou reduzir a ansiedade levou muitas pessoas a experimentar a microdosagem. Não se trata de “viajar”, mas de trabalhar melhor, com maior fluidez mental e menos stress acumulado.

O crescimento desta prática não surgiu do nada. Na última década, Silicon Valley tornou-se uma espécie de laboratório informal, onde programadores, designers e fundadores de startups começaram a partilhar as suas experiências com microdosagens em blogs, podcasts e conferências. Gradualmente, esta prática foi-se espalhando para outros ambientes: desde estúdios de design e espaços de cowork até a escritórios mais tradicionais.

Apesar de ainda ser uma prática envolta em debate e falta de regulamentação, a verdade é que a microdosagem chegou aos espaços laborais com uma promessa clara: ajudar as pessoas a serem mais produtivas sem perder o equilíbrio emocional.

Benefícios da microdosagem no trabalho

A ideia de que existe uma ligação entre microdosagem e produtividade tem captado a atenção de muitos profissionais. Mas será que há verdade nessa ligação ou é apenas mais uma moda? Apesar de ainda não existir consenso científico sólido, há já alguns estudos e inúmeros testemunhos pessoais que oferecem pistas interessantes.

Estudos preliminares do Imperial College de Londres e da Universidade de Maastricht exploraram o uso de microdoses de psilocibina em contextos controlados. Alguns destes estudos sugerem melhorias ligeiras nas funções cognitivas, como a flexibilidade mental, criatividade e concentração sustentada. No entanto, a maioria destes estudos reconhece limitações, como o número reduzido de participantes, falta de controlos rigorosos ou o possível efeito placebo.

No quotidiano, abundam os testemunhos de pessoas que afirmam sentir-se mais focadas, com maior capacidade para gerir o stress e para manter a motivação em tarefas repetitivas.

Entre os benefícios mais referidos por quem pratica a microdosagem, destacam-se:

  • Maior capacidade de concentração em tarefas prolongadas.
  • Aumento da criatividade e da capacidade de resolução de problemas.
  • Redução do stress e melhoria do humor geral.
  • Sensação de conexão com o trabalho e o ambiente envolvente.

Os riscos da microdosagem no trabalho

Embora a microdosagem no trabalho esteja a ganhar popularidade, não está isenta de riscos. Antes de considerar o seu uso no contexto profissional, é importante conhecer alguns fatores que podem jogar contra:

Risco Explicação
Dependência psicológica subtil Algumas pessoas sentem que não conseguem ter um bom desempenho sem a sua microdose diária, criando uma relação pouco saudável com a substância.
Riscos legais e laborais Em muitos países, substâncias como a psilocibina ou o LSD continuam a ser ilegais. A sua presença no organismo pode levar a sanções, especialmente em contextos de controlo de drogas no local de trabalho.
Perigos em certos setores profissionais Em profissões que exigem atenção ou coordenação (como na saúde, transportes ou operação de máquinas), mesmo uma ligeira alteração da perceção pode ter consequências graves.
Falta de acompanhamento médico Muitas pessoas seguem protocolos vistos em fóruns ou redes sociais sem adaptar a dose às suas condições individuais, o que pode ser contraproducente ou até perigoso.

Opiniões científicas e profissionais sobre a microdosagem no trabalho

As opiniões de especialistas em saúde mental, recursos humanos e neurociência sobre a microdosagem no trabalho são diversas, mas partilham um ponto em comum: precaução. Muitos profissionais reconhecem o crescente interesse nesta prática, sobretudo pelos seus potenciais benefícios ao nível da concentração, criatividade e redução do stress. No entanto, a maioria concorda que ainda é cedo para afirmar com certeza se a microdosagem é realmente eficaz ou segura no contexto laboral.

Os cientistas e investigadores alertam que a evidência disponível atualmente é limitada. Muitos estudos apresentam amostras pequenas, falta de grupos de controlo rigorosos ou ignoram variáveis importantes que podem influenciar os resultados. Isso levanta dúvidas sobre a fiabilidade e generalização das conclusões até ao momento. Além disso, no contexto profissional, destaca-se a importância de não transferir práticas pouco fundamentadas para o local de trabalho, onde a segurança e o bem-estar de todos devem ser prioridade. Assim, o apelo é claro: são necessárias mais investigações para avaliar não só os potenciais benefícios, mas também os riscos e implicações éticas da microdosagem no ambiente profissional.

microdosagem no trabalho

A microdosagem no trabalho é legal?

Na Europa, o enquadramento legal de substâncias como a psilocibina ou o LSD — mesmo em microdoses — é bastante claro e restritivo. Estas substâncias estão classificadas como ilegais na maioria dos países, o que significa que a sua posse, consumo ou distribuição pode implicar sanções penais, independentemente da quantidade. Portanto, a prática da microdosagem não está legalmente protegida e pode constituir um risco.

Do ponto de vista laboral, o uso de substâncias proibidas pode acarretar consequências graves. As empresas costumam ter políticas rigorosas relativamente ao consumo de drogas, e a microdosagem pode levar a sanções disciplinares, desde advertências até ao despedimento. Em setores onde a segurança é crítica, esta situação pode mesmo ser considerada uma falta grave, com impacto direto na performance e segurança de terceiros. Assim, mais do que considerar apenas os possíveis benefícios, é essencial informar-se adequadamente sobre a legislação e as políticas da empresa antes de ponderar qualquer prática deste tipo.

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Erik Collado Vidal

Con más de 10 años de experiencia en la industria del cannabis, sus experiencias y aprendizaje son la base del éxito de GB The Green Brand.

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