As propriedades terapêuticas da Cannabis Sativa têm sido alvo de um acentuado debate e investigação no decorrer das últimas décadas. Esta planta natural, tem cativado cada vez mais admiradores e utilizadores. Seja pela sua composição natural, pela sua eficácia ou até pela sua fácil utilização. Vejamos assim os efeitos positivos de fumar cannabis.
O que é a cannabis?
A Cannabis Sativa L é uma planta pertencente à família Cannabaceae, já utilizada e cultivada desde a época neolítica. Uma planta milenar, que possui distintas subespécies e dentro de cada subespécie ainda existem inúmeras estirpes diferentes.
Ainda na composição desta planta, também denominada por marijuana, podemos observar uma complexa variedade de compostos ativos. Dentro destes, podemos destacar os terpenos, flavonóides e os canabinóides. Sendo que, é dentro deste último grupo de compostos que podemos encontrar o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), o maior responsável pelos efeitos psicoativos originados após consumo da planta.
Propriedades terapêuticas da cannabis
Foi na Antiga China, onde inicialmente se aperceberam das potencialidades da cannabis a nível terapêutico. Desde 2700 a.C começou-se a utilizar o cânhamo (subespécie canábica), o qual era inicialmente utilizado para aliviar os sintomas de doenças, entre as quais a malária, o reumatismo e a gota.
Desde então, os estudos e investigações sobre as possíveis propriedades terapêuticas da cannabis têm aumentado a um nível avassalador. Sendo que, atualmente, podemos informar que a cannabis possui propriedades terapêuticas benéficas ao ser humano. Das quais podemos destacar:
- Propriedades antiinflamatórias;
- Propriedades analgésicas;
- Propriedades anticonvulsivantes;
- Propriedades antieméticas;
- Propriedades ansiolíticas e antipsicóticas;
- Propriedades indutoras do sono;
- Propriedades indutoras de fome;
- Propriedades antiespasmódicas;
- Propriedades antioxidantes;
- Propriedades protetoras e reparadoras do tecido nervoso;
Utilização da cannabis em casos clínicos
A descoberta de tais propriedades medicinais, deu alento e esperança a milhares de pacientes que possuíam doenças ou discapacidades, em que a cannabis podia ser benéfica.
Alegrando a vida dos quais poderiam assim experimentar um método natural, com efeitos secundários menos acentuados que os obtidos após medicação tradicional.
Nem todos os casos clínicos estavam englobados neste leque de esperança. As doenças ou condições das quais se verificaram benefícios após a utilização de cannabis medicinal foram:
- Parkinson
- Autismo
- Epilepsia
- Alzheimer
- Esclerose Múltipla
- Náuseas e vómitos
- Ansiedade
- Insomnia
- Síndrome G. Tourette
- Doença de Crohn (entre outras doenças intestinais inflamatórias)
- Psoríase
- Dores Crónicas
- Anorexia
- Osteoporose
- VIH-SIDA
- Fibromialgia
Apesar de haver um número insuficiente de estudos clínicos comprovados em humanos, existem atualmente milhares de pacientes oncológicos que utilizam a cannabis como meio medicinal. Com um intuito de atenuar os efeitos secundários de tratamentos como a quimioterapia, radioterapia ou mesmo à procura de travar a progressão da sua doença ou até mesmo eliminá-la.
Nos casos de pacientes em estados terminais, a cannabis verificou-se uma preciosa ajuda pelo que ajuda a apaziguar as dores, potencia o nível de dopamina, ao mesmo tempo que é um precioso indutor de sono e apetite. Todos estes fatores contribuem para um aumento da qualidade de vida destes pacientes.
Possíveis efeitos secundários
Os compostos químicos da cannabis, tal como o THC, o maior responsável pelos efeitos psicoativos, interagem com o sistema endocanabinóide humano (SEC). O SEC é um sistema neuromodulador que possui funções reguladoras determinantes em áreas super importantes, tal como as emoções, alimentação, memória, dor, digestão e inflamação.
Assim sendo, a interação dos canabinóides com o SEC e consecutivamente com todo o organismo, pode originar efeitos secundários distintos, tais como:
Efeitos a curto prazo
- Ansiedade
- Boca Seca
- Pressão Arterial Baixa
- Olhos Vermelhos
- Fome
- Sonolência
- Enjoos
- Perda de Memória
- Aumento da Frequência Cardíaca
- Estado Depressivo
Efeitos a longo prazo
- Redução da Capacidade Cognitiva
- Perda de Memória
- Risco de Adição
- Dificuldade com a Interação Social
- Letargia
- Problemas Cardiovasculares
- Problemas Respiratórios
- Episódios Psicóticos
- Alterações na Frequência Cardíaca
- Hipertensão Arterial
É importante referir que os efeitos secundários podem variar imenso de indivíduo para indivíduo. Sendo que, os efeitos estão proporcionalmente relacionados com o índice de massa corporal, idade, género, frequência de consumo, tal como a potência da cannabis.
Conclusão
A cannabis possui incríveis propriedades organolépticas, tanto como compostos químicos impressionantes, os quais geram diversos efeitos positivos após fumar ou consumir erva, resultando ser benéficos para diversos casos clínicos. Estas descobertas vieram dar ânimo a milhares de casos clínicos, tanto como melhorar a qualidade de vida de muitos pacientes.
Ao mesmo tempo, sabemos que a canábis pode também originar efeitos secundários, tanto a curto como a longo prazo. Pelo que, se estiver interessado/a em experimentar algum tipo de derivado de cannabis contacte com um profissional de saúde primeiro.