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Cannabis e esclerose múltipla: como pode ajudar os pacientes

A esclerose múltipla (EM) é uma doença crónica que afeta o sistema nervoso e que já afeta mais de dois milhões de pessoas em todo o mundo. Embora cada paciente a viva de forma diferente, o denominador comum é a presença de sintomas que podem alterar profundamente a qualidade de vida: espasticidade, dor neuropática, fadiga, tremores, dificuldades de mobilidade ou problemas de sono. Cada pessoa experienciala de forma única, mas todas partilham o mesmo objetivo: melhorar o seu bem-estar diário.

Perante este cenário, nos últimos anos tem aumentado o interesse em analisar o papel da cannabis como possível apoio terapêutico. Por isso, hoje falamos de cannabis e esclerose múltipla, uma combinação que gerou tanta atenção como debate.

O que é a esclerose múltipla?

A esclerose múltipla é uma doença autoimune. Isto significa que o próprio sistema imunitário ataca por engano partes do corpo. Neste caso, ataca a mielina, que é a camada que envolve e protege os neurónios. Sem mielina, os impulsos elétricos que percorrem os nervos tornam-se lentos ou bloqueiam-se, o que origina uma grande variedade de sintomas.

Embora cada pessoa experiencie a doença de forma única, os sintomas mais comuns são:

  • Espasticidade ou rigidez muscular
  • Dor neuropática
  • Formigueiro ou perda de sensibilidade
  • Problemas de equilíbrio
  • Fadiga intensa
  • Problemas de visão
  • Alterações de humor ou do sono

Atualmente, a esclerose múltipla não tem cura, mas existem tratamentos destinados a retardar a progressão e a aliviar os sintomas. Mesmo assim, muitos pacientes continuam à procura de alternativas complementares que lhes permitam melhorar a qualidade de vida. É aqui que surge o interesse em cannabis e esclerose múltipla.

Ilustração do cérebro com dor neuropática junto de plantas e óleos de cannabis, destacando o potencial do CBD e THC para aliviar sintomas neurológicos e melhorar o bem-estar

Porque é que a cannabis interessa na esclerose múltipla?

A cannabis contém mais de 100 canabinóides, entre os quais se destacam o THC e o CBD. Ambos interagem com o sistema endocanabinóide, um sistema biológico que participa em funções essenciais como a dor, o movimento muscular, o sono ou a resposta inflamatória.

Esta interação despertou o interesse da comunidade médica, uma vez que vários destes processos são afetados na esclerose múltipla. Por isso, estudar a relação entre cannabis e esclerose múltipla tem fundamento científico.

O sistema endocanabinóide atua como “regulador do equilíbrio”. Quando algo se altera, como acontece com a inflamação ou a dor neuropática, os canabinóides podem atuar como moduladores. O THC liga-se diretamente aos recetores CB1 e CB2, enquanto o CBD modula a sua atividade sem afetar tanto a perceção psicoativa.

Graças a estes mecanismos, os investigadores acreditam que a cannabis poderá ajudar em:

  • Controlo da dor
  • Redução da espasticidade
  • Relaxamento muscular
  • Melhoria do sono
  • Redução da inflamação
  • Bem-estar emocional

Não é uma cura, mas pode ser um apoio complementar. Mas o que diz realmente a evidência científica?

O que sabemos: estudos e conclusões científicas atuais

Na última década, numerosos estudos clínicos, revisões sistemáticas e meta-análises avaliaram o potencial da cannabis para tratar sintomas da esclerose múltipla. Embora ainda haja muito por investigar, existem várias conclusões recorrentes.

1. A espasticidade é o sintoma com mais evidência de melhoria

A espasticidade, aquela sensação de rigidez ou tensão muscular que dificulta o movimento, é um dos sintomas mais frequentes e limitantes da esclerose múltipla.
Vários estudos demonstraram que os canabinóides podem reduzi-la. Tanto o THC como as combinações THC+CBD mostraram resultados positivos, especialmente em pacientes que não respondem bem a outros tratamentos.

Em vários países já têm um medicamento à base de cannabis aprovado especificamente para este fim, reforçando a evidência disponível. Em Portugal e Espanha, por exemplo, existem regulamentações específicas para medicamentos como o Sativex (nabiximols) para adultos com espasticidade moderada a grave devido à esclerose múltipla.

2. Redução da dor neuropática

Outro sintoma que mais afeta a qualidade de vida é a dor neuropática. Ao contrário da dor física comum, esta dor é causada por danos nos nervos. Os pacientes descrevem-na como uma sensação de queimação ou choque elétrico.

Estudos clínicos indicam que a cannabis, especialmente o THC, pode modificar a perceção da dor ao interagir com os recetores CB1 do sistema nervoso central. Muitos pacientes reportam diminuição da dor, crises menos intensas e melhor descanso quando usada de forma controlada.

3. Melhoria do sono e descanso

A insónia é um problema comum na esclerose múltipla, sobretudo quando a espasticidade e a dor se intensificam à noite.

Os canabinóides, especialmente o THC em doses baixas, podem ajudar a adormecer e prolongar as fases de sono profundo. Isto melhora não só o humor, mas também a energia e a capacidade funcional durante o dia.

4. Impacto na qualidade de vida

Vários estudos qualitativos mostram que muitos pacientes percebem uma melhoria geral: menor rigidez, melhor mobilidade, redução da ansiedade e sensação de maior controlo. Embora não substitua os tratamentos médicos, oferece uma perspetiva promissora sobre como cannabis e esclerose múltipla podem complementar-se.

Uso de canabinóides na gestão de sintomas neurológicos
AspetoInformação chave
Sintomas onde mais ajudaEspasticidade, dor neuropática, insónia
Mecanismo de açãoInteração com o sistema endocanabinóide (CB1 e CB2)
Canabinóides mais estudadosTHC e CBD
Formatos mais utilizadosMedicamentos THC+CBD, óleos, sprays sublinguais
Benefícios observadosMenor rigidez, melhor mobilidade, sono mais profundo
Efeitos secundáriosSonolência, boca seca, tonturas, efeito psicoativo (THC)

Formas de cannabis utilizadas na investigação

Quando falamos de cannabis terapêutica, não nos referimos apenas a “fumar”. De facto, a maioria dos estudos utiliza extratos padronizados, formulações controladas ou medicamentos aprovados por entidades de saúde.

As principais apresentações estudadas são:

1. Medicamentos com THC e CBD: Preparações padronizadas com doses exatas, geralmente em sprays sublinguais ou cápsulas.

2. Óleos de cannabis: Em alguns países, permitem-se mediante prescrição médica. O conteúdo costuma ser equilibrado e administra-se por via oral.

3. Extratos em tinturas ou soluções: Usados em investigação, permitem ajustar rapidamente a dose.

4. Vaporização: Menos estudada, mas utilizada por pacientes que procuram alívio mais imediato.

O importante é que os produtos usados com fins terapêuticos são sempre controlados, algo fundamental para evitar riscos ou efeitos adversos.

É seguro usar cannabis em pacientes com esclerose múltipla?

Como qualquer tratamento, a cannabis não está isenta de efeitos secundários. Embora muitos sejam leves, é importante compreendê-los:

  • Sono excessivo
  • Boca seca
  • Mudanças no apetite
  • Tonturas
  • Alterações na memória de curto prazo
  • Aumento do pulso
Efeitos secundários do uso de canabinóides e como reduzi-los
Efeito secundárioO que implicaFrequênciaComo reduzir
Sono excessivoSensação de cansaço ou sonolênciaComumReduzir a dose, usar à noite
Boca secaBoca pegajosa ou aumento de sedeComumHidratação frequente, gomas sem açúcar
TonturasSensação temporária de instabilidadeModeradoSentar ao administrar, evitar mudanças bruscas
Aumento do apetiteMais vontade de comer, típico do THCVariável conforme doseAjustar a ingestão, usar CBD predominante
Alterações na memória de curto prazoDificuldade em lembrar detalhes imediatosOcasional (doses altas)Reduzir THC, optar por THC+CBD equilibrado
Ansiedade ou euforiaReações psicoativas indesejadasMenos comumEvitar doses altas de THC, aumentar CBD
Taquicardia leveAumento moderado do pulsoRaroSupervisão médica, evitar estimulantes
Desorientação temporáriaSensação passageira de confusãoOcasionalReduzir a dose, evitar vaporização rápida

No caso do THC, podem surgir efeitos psicoativos indesejados, como sensação de embriaguez, euforia excessiva ou ansiedade.

Por isso, ao falar de cannabis e esclerose múltipla com objetivo terapêutico, recomenda-se sempre:

  • Supervisão médica
  • Produtos regulados
  • Doses progressivas (“comece baixo, vá devagar”)
  • Evitar misturar com álcool ou outros depressores
  • Não conduzir sob efeito

Além disso, nem todos os pacientes respondem da mesma forma. Alguns notam melhorias significativas e outros quase nenhum efeito.

Situação legal do cannabis no contexto terapêutico

A legalidade varia conforme o país. Em muitos locais, o uso médico da cannabis é regulado apenas para certas patologias, sendo a esclerose múltipla uma das mais reconhecidas pela literatura científica.

De modo geral, medicamentos à base de cannabis são permitidos em vários países europeus, Canadá, Israel ou EUA. Em Espanha, o debate continua em evolução, e embora exista um quadro limitado, a discussão sobre regulamentação médica está mais ativa do que nunca.

O que dizem os pacientes: testemunhos e experiências reais

Para além dos estudos, a experiência dos pacientes também impulsionou o interesse em cannabis e esclerose múltipla. Muitos descrevem que:

  • A rigidez diminui significativamente.
  • Os espasmos musculares reduzem.
  • Conseguem dormir melhor.
  • Sentem-se mais capazes de se mover e realizar tarefas diárias.
  • Melhora o humor e a sensação de controlo sobre a doença.

Embora a experiência seja subjetiva, coincide com descobertas científicas em aspetos-chave como espasticidade e dor.

O que podemos concluir hoje sobre cannabis e esclerose múltipla?

A cannabis não cura a esclerose múltipla, mas pode ser um aliado no controlo de alguns dos seus sintomas mais complexos. A ciência apoia especialmente o seu papel na redução da espasticidade e da dor neuropática, assim como na melhoria do sono e do bem-estar geral.

Não substitui tratamentos médicos, mas pode complementar protocolos existentes sob supervisão profissional. E, acima de tudo, oferece a muitos pacientes uma melhoria tangível na qualidade de vida.

Frascos de cannabis medicinal junto a uma receita numa farmácia, ilustrando o uso regulado de óleos e sprays de CBD e THC sob prescrição profissional

O interesse na relação entre cannabis e esclerose múltipla continuará a crescer. À medida que a investigação avança e a regulamentação se define, é provável que o seu papel terapêutico se consolide ainda mais.

FAQs sobre cannabis e esclerose múltipla

Quanto tempo demora para um paciente notar efeitos ao usar cannabis terapêutica?

Depende do formato: os sprays e óleos sublinguais geralmente atuam em 15–45 minutos, enquanto os formatos orais podem demorar entre 1 e 2 horas. A melhoria de sintomas crónicos, como a espasticidade, pode exigir dias ou semanas de uso contínuo.

A cannabis pode piorar alguns sintomas da esclerose múltipla?

Em determinados pacientes, especialmente sensíveis ao THC, pode aumentar a fadiga, causar dificuldades de concentração ou gerar sensação de desorientação temporária. São efeitos reversíveis e normalmente desaparecem ao ajustar a dose ou alterar a fórmula do tratamento.

É possível que a cannabis ajude a reduzir a dose de outros medicamentos sintomáticos?

Alguns pacientes relatam que, com o uso controlado de cannabis, necessitam de menos relaxantes musculares ou analgésicos. No entanto, isto deve ser sempre avaliado por um profissional. Nunca deve reduzir-se a medicação convencional sem supervisão médica.

Existem diferenças entre usar cannabis vaporizada e produtos orais em pacientes com EM?

Sim. A vaporização proporciona alívio mais rápido e permite ajustar melhor a dose em casos de espasmos repentinos, mas o efeito dura menos. Os óleos e sprays, por outro lado, oferecem um efeito mais estável e prolongado, sendo frequentemente preferidos em contextos clínicos.

A cannabis pode afetar a cognição em pessoas com esclerose múltipla?

O THC pode causar dificuldades pontuais de memória ou concentração, especialmente em doses elevadas. Como alguns pacientes com EM já apresentam problemas cognitivos associados à doença, é importante ajustar a dose para evitar agravar esses sintomas.
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Erik Collado Vidal

Con más de 10 años de experiencia en la industria del cannabis, sus experiencias y aprendizaje son la base del éxito de GB The Green Brand.

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